sábado, 19 de dezembro de 2009

Viver é como ler um livro...



Viver é como ler um livro. Aprendemos com as páginas já lidas, saboreamos a que estamos lendo, e não sabemos o que nos espera nas próximas. Quando se inicia uma leitura, os olhos estão imaturos, aprendendo com cada palavra, linha, parágrafo como continuar a ler. Às vezes nossos olhos se perdem em meio a tantas letras, mas com paciência tudo vai para o seu devido lugar. Quando se chega na metade do livro, já conhecemos a escrita do autor, estamos habituados às suas manias, compreendemos seus defeitos com mais calma e dificilmente tropeçamos nas letras, e, se o fazemos, recobramos a consciência sem perda de tempo, pois logo virá o fim. O fim da vida é como o fim de um livro. Depois de tanto tempo lendo, interpretando, criticando, se emocionando, finalmente, entendemos o porquê de as coisas acontecerem. Sejam elas boas ou ruins.

Quando o fim está próximo, todo o passado ganha uma clareza singular. As alegrias, tristezas, tragédias, euforias, tornam-se pontes que levam a outras pontes que levam a um caminho único, o de uma vida. Também se aprende a respeitar o rumo que a história tomou. Não há mais tempo para mudá-la.

Hoje não faço mais planos para o futuro, este, eu sempre deixei para planejar amanhã, amanhã... Neste momento, nem ao menos sei se haverá um amanhã. Não posso saber por quantas vezes meus olhos vão poder contemplar o nascer do sol. Ou por quantas vezes sentirei o perfume das flores que plantei em meu pequeno jardim, aos fundos da minha casa. Mas me alegro profundamente com os planos de curto prazo que faço. Eles estão dentro dos limites do tempo que me resta.

Já passei da metade do livro da minha vida. Provavelmente estou mais próxima da última página do que posso imaginar. Quem poderá saber? Mas não é por causa disso que já me considero um livro velho e empoeirado jogado no canto de uma estante. Não é porque sei que já percorri grande parte do caminho que devo parar de admirar a estrada. Meu coração tem grandes esperanças. E quem tem esperança, pode viver cem anos e contemplar a vida com os olhos de uma criança.