quarta-feira, 29 de março de 2017

A Bela e a Fera

Vamos falar um pouco sobre a A Bela e a Fera?
Para começar, vamos às origens.

Como diz a música da Disney, A Bela e a Fera é realmente um "Tale as old as time" (um conto tão antigo quanto o tempo), podemos dizer. 
Foi escrito na França, no século XVIII por Grabrielle-Suzanne Barbot de Gallon de Villeneuve (Mademoiselle de Villeneuve), e seu título original é La Belle et la Bête. 
Podemos nos perguntar se Mademoiselle de Villeneuve realmente concebeu toda a ideia de La Belle et la Bête, ou se foi a responsável por trazer o conto falado para a forma escrita, já que muitas histórias eram contadas há muitos e muitos anos e só foram registradas em livros entre os séculos XVI e XVIII. 

A história original, no entanto, é bastante diferente daquela contada pela Disney, em sua animação datada de 1991 - e que arrebatou os corações milhares de crianças mundo afora.
Na versão original, é contada a história de um mercador muito rico que tinha 12 filhos (6 homens e 6 mulheres), mas que inesperadamente se viu na miséria, perdendo a luxuosa casa num incêndio e todos os seus barcos no mar. 
Após algum tempo morando num casebre muito simples no interior, ele recebeu a notícia de que um de seus barcos havia sido recuperado, e precisou ir à cidade para resolver esta situação. Todos os seus filhos pediram presentes caríssimos, menos Bella, a mais nova, que pediu apenas uma Rosa. 
Na volta para casa, o mercador se perdeu no caminho gelado, e, ao acaso, encontrou um castelo esplêndido, onde entrou e se abrigou do frio e saciou sua fome. Ao sair do castelo para retornar à estrada, retirou uma rosa do jardim e isso enfureceu a Fera. 
Mas, ao contrário do que conta a versão da Disney, a fera deixou o mercador ir para casa com a condição de que uma de suas filhas fosse viver no castelo por livre e espontânea vontade - por amor ao pai - caso contrário, ele seria condenado a viver eternamente no castelo, como propriedade da Fera. 
Sem surpresas, sabemos que a única filha que aceitou a condição foi Bella, que, sentindo-se responsável por toda a situação por causa da rosa, passou a viver com a Fera para livrar seu pai da punição. 
Durante o tempo que ficou no castelo, Bella frequentemente tinha sonhos com um belo príncipe, por quem se apaixonou. A Fera constantemente pedia sua mão em casamento, ao que sempre respondia "não". 
Em certa ocasião, Bella pediu permissão para visitar sua família, pois sentia muita saudade. A Fera, que a amava muito, consentiu, contanto que ela prometesse voltar em breve, pois sem ela, certamente morreria de tristeza. 
Enquanto Bella visitava sua família, sentiu muita saudade do castelo, da Fera - que era tão bondosa com ela - e do príncipe que só podia ver em sonhos quando estava no castelo. Chegou à conclusão de que a Fera era digna de receber todo o seu amor e gratidão, e que o príncipe de seus sonhos apenas a alertava quanto ao verdadeiro valor da criatura. Retornou ao castelo, e, a Fera estava quase morrendo de tanta tristeza e saudade, foi então que Bella notou que realmente o amava. A Fera ficou muito feliz, e como de costume, perguntou novamente à Bella se ela aceitaria ser sua esposa, e, desta vez, ela aceitou, quebrando assim o feitiço que prendia o príncipe naquele corpo. 



O remake em live-action é estrelado por Emma Watson e Dan Stevens. Tem bastante músicas (aquelas mesmo, da animação que a gente ama) e também algumas diferenças de enredo.
Bella, é retratada neste filme não só como a filha de um inventor (aliás, sabemos que no original o pai dela era um mercador, não um inventor), mas também como uma inventora, mas muito mal vista pelas pessoas de sua aldeia, por estar "muito à frente de seu tempo", para uma mulher.

Cá entre nós, é fácil perceber que a trama tenta puxar a atenção para o lado "machista" da sociedade, ao passo que Gaston (Luke Evans) ameaça Bella ao mostrar-lhe o que acontece com mulheres solteironas, e em como os aldeões criticam sua postura ao utilizar uma espécie de máquina de lavar e ensinar uma menina a ler.
Também é adicionada à trama a breve história da mãe de Bella, o que não vimos nem na animação, nem no conto original. 
Aliás, toda esta parte em que Gaston e os aldeões partem para destruir a Fera e seu castelo não passa de uma invenção da Disney, afinal, é uma animação apenas baseada no conto. 
Em termos de fidelidade ao conto de Mademoiselle Villeneuve, o filme A Bela e Fera de 2014, estrelado por Léa Seydoux e Vincent Cassel ganha de dez a zero.

Mas parece que o que mais interessa, na verdade, é a memória afetiva criada nas crianças de 1991, que hoje, adultas, estão se emocionando ao assistir a esta superprodução.


O que você achou do filme? Me conta!





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