quinta-feira, 1 de junho de 2017

Pedra nos rins - meu relato


Estamos tão acostumados a levar a vida seguindo a nossa rotina, que quando nos acontece algo que foge do padrão não sabemos nem reagir direito. Perfeitamente normal. Nunca pensei que um dia teria que enfrentar uma cólica renal, ou que teria pedra nos rins. Aliás, nunca pensei muito nos meus rins – e foi isso que me causou este episódio tão doloroso que vou contar a você agora, caro leitor.

Já tinha ouvido alguns relatos do quão intensa é a dor nos rins. Família e amigos que foram acometidos falaram do quanto a experiência era horrível, e que foi a pior dor que já sentiram na vida. Casos de gente que cai e rola de dor no chão aos gritos não são raros em se tratando de cólica renal.

Não posso começar a contar a minha experiência sem dizer que eu sei exatamente qual foi o motivo que me levou a isto: EU NÃO BEBO ÁGUA. Então, caro leitor, no caso de você estar lendo isso aqui antes de ter uma experiência horrível com os rins, escute o que te digo com carinho: beba muita água, água de coco, suco de limão. Este conselho vale ouro! Se você está aqui porque acabou de descobrir que tem pedra nos rins, vem cá, me dá um abraço, eu sinto muito se você não curte beber muita coisa, mas TRIPLIQUE a quantidade de líquido que você ingere. E se você veio parar aqui porque um dia passou por isso e se lembrou, tenho uma pergunta a te fazer: já bebeu bastante água hoje para evitar que te ocorra outra crise? Vai lá beber um copão, só pra não correr o risco, né?

Tive um dia completamente normal, fui ao shopping passear à tarde, fiz um lanche e tomei uma latinha de refrigerante. Sempre ando com uma garrafinha de água, mas nunca bebi muito dela (só molhava a boca, pra ser sincera, a garrafa sempre chegava cheia em casa). 

Enfim, fui à igreja e foi então que tudo começou.
Lá pela metade do culto, comecei a sentir uma pontada fixa nas minhas costas, na região lombar, mas bem interna, profunda. Não era latejante, era como se fosse um pontinho de dor parado mesmo, constante. No começo era apenas um incômodo que atribuí à má postura em que eu estava sentada na cadeira. 

Tentei “me consertar” várias vezes no banco, mas não sentia alívio desse incômodo não importava o que eu fizesse. Mas como era algo tão fraquinho, pensei que fosse inofensivo e que passaria tão logo eu parasse de prestar atenção.

No final do culto eu precisei ficar em pé por alguns minutos, e aí a coisa foi tomando outra proporção. Aquele ponto de dor foi causando cada vez mais incômodo (suportável) e mesmo em pé eu trocava de posição e me alongava várias vezes a fim de aliviar essa dor, mas nada funcionava, até o ponto em que eu não queria mais ficar em pé, porque estava realmente muito desconfortável sentir aquilo nas costas. Mas não era uma DOR forte, eu estava realmente pensando que era um mau jeito na coluna (a gente vai ficando velho e vai pensando que tudo quanto é dor é normal).

Falei pro meu noivo que eu precisava ir ao banheiro, rapidinho. Senti que eu precisava fazer xixi, então fui ao banheiro e não saiu praticamente nada de urina, saiu praticamente uma gota.

Ah... A partir daí foi galopante. Conheci a famosa cólica renal. S-E-N-H-O-R. Pelo menos eu estava no lugar certo e já poderia “encomendar a minha alma” ali mesmo – hahaha, brinks.
Saí do banheiro com um pouco mais de dor, é... Tinha virado uma dor forte, e estava começando a irradiar para o meu abdômen. Só foi o tempo de eu encontrar o meu noivo e dizer com um suspiro:  “Estou com uma dor muito forte”, que a partir daí não consegui mais ficar em pé. Simplesmente não havia como ficar em pé. Ele puxou uma cadeira pra mim e me perguntava o que havia acontecido e como era a dor que eu sentia. Mas, gente, não dava nem pra falar. Pra conseguir falar qualquer coisa eu juntava muito ar e soltava todas as palavras de uma vez, num único suspiro e rápido, porque doía muito, mas muito mesmo.

Era uma dor tão forte que comecei a tremer muito, era absurdo! Estava com medo de basicamente duas coisas:
1. Morrer;
2. Precisar passar por uma cirurgia de emergência.

Estava apavorada, pensei que pudesse ser uma crise de apendicite, inclusive, porque a dor passou para a minha barriga, tão intensa quanto nas costas.

Alguns membros da igreja se aproximaram para me auxiliar ali, oferecendo carona para casa ou para o hospital, já que eu não estava de carro. Muito grata até hoje pelo cuidado que tiveram comigo. Um dos pastores que me ajudou ali na hora viu meus sintomas e presumiu que eu estava com uma cólica renal.

Enquanto isso meu noivo contatava meus pais por telefone, pedindo que viessem me buscar e explicando toda a situação.

Deve ter passado uns 15 ou 20 minutos, mas para mim foi como umas 3h de dor excruciante naquela cadeira sem conseguir me mover 1cm sequer.

Quando meus pais chegaram, o desafio passou a ser a locomoção. Eu não conseguia andar. Mas esse não era um grande problema, pois seria fácil meu noivo me carregar no colo até o carro. O problema é que eu estava com tanta dor, mas com tanta dor, que não me movia e não deixava ninguém encostar em mim. É uma sensação inenarrável, para falar a verdade. Qualquer esforço que eu faça aqui em procurar as palavras mais adequadas para explicar a intensidade não vai honrar a lembrança.

Mas eu sabia que precisava sair dali, fosse para ir pra casa ou para o hospital. Por fim, tive que deixar meu noivo me carregar no colo (depois de dar um bom urro de dor).
Por causa do plus de dor em razão da movimentação, senti náusea. Ao virar a primeira esquina, já no carro, comecei a vomitar de tanta dor. E esse é um assunto que renderia outro texto enorme, pois desde criança tenho que lidar com a emetofobia. Como não é disto que estou falando no momento, sigamos.

Vomitei um pouco. O caminho para casa foi extremamente tenso. Eu tentava poupar o máximo possível o lado direito do meu corpo de qualquer toque, qualquer impacto. Fui agarrada ao encosto de cabeça do motorista, segurando e me equilibrando, pois não conseguia me sentar encostada normalmente no banco.

Ao chegar em casa, outra novela para que eu pudesse sair do carro, atravessar a garagem e subir as escadas (são alguns degraus ao fim da garagem + 3 lances de escada até o quarto).

De fato, consegui sair do carro e chegar até os primeiros degraus. Chegando na frente deles senti que ia desmaiar se desse mais um passo que fosse. Meu noivo novamente me carregou no colo e me levou pro quarto.

Eu tremia muito, um misto de medo, muita dor e muito frio. Não necessariamente nesta ordem.
Minha avó logo se encarregou de me cobrir com um cobertor quentinho e calçar meias nos meus pés gelados. Eu não conseguia ficar deitada. Nem totalmente sentada. Nem em qualquer ângulo. Aliás, não havia posição confortável. Eu só tentava fugir da dor excruciante, mas era como tapar o sol com uma peneira. Doía pavorosamente.

Tomei um remédio para dor (Buscopan). E minha mãe fez compressa quente na região na tentativa de aliviar, tudo isso sem que eu me mexesse. Deixaram que eu decidisse se queria ir a um hospital, era só eu avisar.

*********Adendo: não fui imediatamente a um hospital porque meu pai é médico. Não estou aconselhando ninguém a fazer o mesmo. A dor é forte demais para que se fique em casa. É necessária medicação e assistência.**********

Retornando, em certo momento, quando eu já não aguentava mais tanta dor e já juntava o ar para dizer num só suspiro “meleveaohospitalpeloamordeDeus”, minha mãe pediu para eu virar um pouco para ela colocar a compressa nas minhas costas. Nesse momento foi o ápice. Vi estrelas, no modo figurado. Comecei a vomitar instantaneamente. Me sentei para não sujar a cama inteira, vi estrelas novamente. Vomitei muito. Muito.

E então... a dor passou. Puf. Como num milagre.

Assim que terminei de virar o estômago do avesso, simplesmente me levantei, fui ao banheiro e fiz xixi. Sem dor. Só um pouco de incômodo, mas zero dor.

Andei, desci escada, comi, subi escada. Fiz mais xixi, e aí senti um “arranhão” passando no canal. Mas nem me liguei que era uma pedra saindo. Estava tão aliviada, tão feliz por ter saído da crise. Tão leve... que nem prestei atenção.

Deve ter sido por volta de umas 3 horas de dor intensa, incessante, sem qualquer alívio, sem posição de descanso.

No dia seguinte (segunda-feira) fiz uma ultrassom e VOILÀ, duas pedrinhas de 0,5mm no rim direito. Tinha uma espécie de rastro, que indicava que eu havia expelido alguma coisa, e tinha ficado a “cicatriz”.

E agora? Tinha a outra pedra, meu Deus. Eu ia sentir outra cólica daquelas? Foi de longe a dor mais horrorosa que já senti na minha vida inteira. Fiquei apavorada só de pensar na possibilidade de passar por aquilo de novo para expelir a outra pedra.

Comecei a tomar mais água, alguns chás, e cloreto de magnésio p.a. para me ajudar a expelir a bendita. Fui a um urologista no dia seguinte (terça-feira) e ele pediu uma tomografia. Só consegui marcar o tal do exame para a próxima segunda-feira. Então precisaria ter paciência e esperar – bebendo muita água e suco de limão com salsa enquanto isso.

Durante essa semana, eu sentia como se a musculatura da região estivesse toda tensa. Era como se meu rim estivesse “repuxando”. E eu tentava poupar a região de esforço, sabe? Andando meio dura, não deitando virada para o lado direito, evitando me alongar. Era medo de sentir a dor de novo. Mas esse incômodo não passava de modo algum. Até segunda-feira (exatamente 1 semana depois da crise), que foi quando eu acordei sentindo um alívio fora do sério. Senti uma espécie de relaxamento na região. Fui fazer o exame e não foi detectada nenhuma pedra!

Não vi em que momento eu as expeli. Não vi nenhuma pedra na minha urina, mesmo vigiando muito. Mas aquele resultado me deixou muito aliviada.

Um médico me disse que os casos de cálculo renal aumentam muito no verão, especialmente em mulheres, que bebem menos água. No calor nós transpiramos mais, ou seja, boa parte da água do organismo se transforma em suor, reduzindo a quantidade de água que iria para os rins. Eles precisam de bastante água, senão produzem os cálculos.

Ah, quase ia me esquecendo. Depois deste episódio, BANI o consumo de refrigerante. Claro que há locais e situações que nem dá pra evitar, mas reduzi em mais de 90%. Já não bebia Coca Cola por questão de gosto mesmo, só tomava guaraná, mas tomava muitas vezes na semana. Aprendi a gostar mais de sucos naturais, e, mais importante do que isso, aprendi a dizer NÃO.

É uma tentação, porque as bebidas açucaradas viram um vício, mas são altamente nocivas para a nossa saúde. É muito mais importante nos atentarmos para a nossa saúde, sendo rígidos e dizendo "não" quando a vontade aperta, mas é uma atitude sábia e de demonstração de controle e amor próprio.

Fique atento, não espere acontecer com você para mudar os hábitos.