quinta-feira, 1 de junho de 2017

Pedra nos rins - meu relato


Estamos tão acostumados a levar a vida seguindo a nossa rotina, que quando nos acontece algo que foge do padrão não sabemos nem reagir direito. Perfeitamente normal. Nunca pensei que um dia teria que enfrentar uma cólica renal, ou que teria pedra nos rins. Aliás, nunca pensei muito nos meus rins – e foi isso que me causou este episódio tão doloroso que vou contar a você agora, caro leitor.

Já tinha ouvido alguns relatos do quão intensa é a dor nos rins. Família e amigos que foram acometidos falaram do quanto a experiência era horrível, e que foi a pior dor que já sentiram na vida. Casos de gente que cai e rola de dor no chão aos gritos não são raros em se tratando de cólica renal.

Não posso começar a contar a minha experiência sem dizer que eu sei exatamente qual foi o motivo que me levou a isto: EU NÃO BEBO ÁGUA. Então, caro leitor, no caso de você estar lendo isso aqui antes de ter uma experiência horrível com os rins, escute o que te digo com carinho: beba muita água, água de coco, suco de limão. Este conselho vale ouro! Se você está aqui porque acabou de descobrir que tem pedra nos rins, vem cá, me dá um abraço, eu sinto muito se você não curte beber muita coisa, mas TRIPLIQUE a quantidade de líquido que você ingere. E se você veio parar aqui porque um dia passou por isso e se lembrou, tenho uma pergunta a te fazer: já bebeu bastante água hoje para evitar que te ocorra outra crise? Vai lá beber um copão, só pra não correr o risco, né?

Tive um dia completamente normal, fui ao shopping passear à tarde, fiz um lanche e tomei uma latinha de refrigerante. Sempre ando com uma garrafinha de água, mas nunca bebi muito dela (só molhava a boca, pra ser sincera, a garrafa sempre chegava cheia em casa). 

Enfim, fui à igreja e foi então que tudo começou.
Lá pela metade do culto, comecei a sentir uma pontada fixa nas minhas costas, na região lombar, mas bem interna, profunda. Não era latejante, era como se fosse um pontinho de dor parado mesmo, constante. No começo era apenas um incômodo que atribuí à má postura em que eu estava sentada na cadeira. 

Tentei “me consertar” várias vezes no banco, mas não sentia alívio desse incômodo não importava o que eu fizesse. Mas como era algo tão fraquinho, pensei que fosse inofensivo e que passaria tão logo eu parasse de prestar atenção.

No final do culto eu precisei ficar em pé por alguns minutos, e aí a coisa foi tomando outra proporção. Aquele ponto de dor foi causando cada vez mais incômodo (suportável) e mesmo em pé eu trocava de posição e me alongava várias vezes a fim de aliviar essa dor, mas nada funcionava, até o ponto em que eu não queria mais ficar em pé, porque estava realmente muito desconfortável sentir aquilo nas costas. Mas não era uma DOR forte, eu estava realmente pensando que era um mau jeito na coluna (a gente vai ficando velho e vai pensando que tudo quanto é dor é normal).

Falei pro meu noivo que eu precisava ir ao banheiro, rapidinho. Senti que eu precisava fazer xixi, então fui ao banheiro e não saiu praticamente nada de urina, saiu praticamente uma gota.

Ah... A partir daí foi galopante. Conheci a famosa cólica renal. S-E-N-H-O-R. Pelo menos eu estava no lugar certo e já poderia “encomendar a minha alma” ali mesmo – hahaha, brinks.
Saí do banheiro com um pouco mais de dor, é... Tinha virado uma dor forte, e estava começando a irradiar para o meu abdômen. Só foi o tempo de eu encontrar o meu noivo e dizer com um suspiro:  “Estou com uma dor muito forte”, que a partir daí não consegui mais ficar em pé. Simplesmente não havia como ficar em pé. Ele puxou uma cadeira pra mim e me perguntava o que havia acontecido e como era a dor que eu sentia. Mas, gente, não dava nem pra falar. Pra conseguir falar qualquer coisa eu juntava muito ar e soltava todas as palavras de uma vez, num único suspiro e rápido, porque doía muito, mas muito mesmo.

Era uma dor tão forte que comecei a tremer muito, era absurdo! Estava com medo de basicamente duas coisas:
1. Morrer;
2. Precisar passar por uma cirurgia de emergência.

Estava apavorada, pensei que pudesse ser uma crise de apendicite, inclusive, porque a dor passou para a minha barriga, tão intensa quanto nas costas.

Alguns membros da igreja se aproximaram para me auxiliar ali, oferecendo carona para casa ou para o hospital, já que eu não estava de carro. Muito grata até hoje pelo cuidado que tiveram comigo. Um dos pastores que me ajudou ali na hora viu meus sintomas e presumiu que eu estava com uma cólica renal.

Enquanto isso meu noivo contatava meus pais por telefone, pedindo que viessem me buscar e explicando toda a situação.

Deve ter passado uns 15 ou 20 minutos, mas para mim foi como umas 3h de dor excruciante naquela cadeira sem conseguir me mover 1cm sequer.

Quando meus pais chegaram, o desafio passou a ser a locomoção. Eu não conseguia andar. Mas esse não era um grande problema, pois seria fácil meu noivo me carregar no colo até o carro. O problema é que eu estava com tanta dor, mas com tanta dor, que não me movia e não deixava ninguém encostar em mim. É uma sensação inenarrável, para falar a verdade. Qualquer esforço que eu faça aqui em procurar as palavras mais adequadas para explicar a intensidade não vai honrar a lembrança.

Mas eu sabia que precisava sair dali, fosse para ir pra casa ou para o hospital. Por fim, tive que deixar meu noivo me carregar no colo (depois de dar um bom urro de dor).
Por causa do plus de dor em razão da movimentação, senti náusea. Ao virar a primeira esquina, já no carro, comecei a vomitar de tanta dor. E esse é um assunto que renderia outro texto enorme, pois desde criança tenho que lidar com a emetofobia. Como não é disto que estou falando no momento, sigamos.

Vomitei um pouco. O caminho para casa foi extremamente tenso. Eu tentava poupar o máximo possível o lado direito do meu corpo de qualquer toque, qualquer impacto. Fui agarrada ao encosto de cabeça do motorista, segurando e me equilibrando, pois não conseguia me sentar encostada normalmente no banco.

Ao chegar em casa, outra novela para que eu pudesse sair do carro, atravessar a garagem e subir as escadas (são alguns degraus ao fim da garagem + 3 lances de escada até o quarto).

De fato, consegui sair do carro e chegar até os primeiros degraus. Chegando na frente deles senti que ia desmaiar se desse mais um passo que fosse. Meu noivo novamente me carregou no colo e me levou pro quarto.

Eu tremia muito, um misto de medo, muita dor e muito frio. Não necessariamente nesta ordem.
Minha avó logo se encarregou de me cobrir com um cobertor quentinho e calçar meias nos meus pés gelados. Eu não conseguia ficar deitada. Nem totalmente sentada. Nem em qualquer ângulo. Aliás, não havia posição confortável. Eu só tentava fugir da dor excruciante, mas era como tapar o sol com uma peneira. Doía pavorosamente.

Tomei um remédio para dor (Buscopan). E minha mãe fez compressa quente na região na tentativa de aliviar, tudo isso sem que eu me mexesse. Deixaram que eu decidisse se queria ir a um hospital, era só eu avisar.

*********Adendo: não fui imediatamente a um hospital porque meu pai é médico. Não estou aconselhando ninguém a fazer o mesmo. A dor é forte demais para que se fique em casa. É necessária medicação e assistência.**********

Retornando, em certo momento, quando eu já não aguentava mais tanta dor e já juntava o ar para dizer num só suspiro “meleveaohospitalpeloamordeDeus”, minha mãe pediu para eu virar um pouco para ela colocar a compressa nas minhas costas. Nesse momento foi o ápice. Vi estrelas, no modo figurado. Comecei a vomitar instantaneamente. Me sentei para não sujar a cama inteira, vi estrelas novamente. Vomitei muito. Muito.

E então... a dor passou. Puf. Como num milagre.

Assim que terminei de virar o estômago do avesso, simplesmente me levantei, fui ao banheiro e fiz xixi. Sem dor. Só um pouco de incômodo, mas zero dor.

Andei, desci escada, comi, subi escada. Fiz mais xixi, e aí senti um “arranhão” passando no canal. Mas nem me liguei que era uma pedra saindo. Estava tão aliviada, tão feliz por ter saído da crise. Tão leve... que nem prestei atenção.

Deve ter sido por volta de umas 3 horas de dor intensa, incessante, sem qualquer alívio, sem posição de descanso.

No dia seguinte (segunda-feira) fiz uma ultrassom e VOILÀ, duas pedrinhas de 0,5mm no rim direito. Tinha uma espécie de rastro, que indicava que eu havia expelido alguma coisa, e tinha ficado a “cicatriz”.

E agora? Tinha a outra pedra, meu Deus. Eu ia sentir outra cólica daquelas? Foi de longe a dor mais horrorosa que já senti na minha vida inteira. Fiquei apavorada só de pensar na possibilidade de passar por aquilo de novo para expelir a outra pedra.

Comecei a tomar mais água, alguns chás, e cloreto de magnésio p.a. para me ajudar a expelir a bendita. Fui a um urologista no dia seguinte (terça-feira) e ele pediu uma tomografia. Só consegui marcar o tal do exame para a próxima segunda-feira. Então precisaria ter paciência e esperar – bebendo muita água e suco de limão com salsa enquanto isso.

Durante essa semana, eu sentia como se a musculatura da região estivesse toda tensa. Era como se meu rim estivesse “repuxando”. E eu tentava poupar a região de esforço, sabe? Andando meio dura, não deitando virada para o lado direito, evitando me alongar. Era medo de sentir a dor de novo. Mas esse incômodo não passava de modo algum. Até segunda-feira (exatamente 1 semana depois da crise), que foi quando eu acordei sentindo um alívio fora do sério. Senti uma espécie de relaxamento na região. Fui fazer o exame e não foi detectada nenhuma pedra!

Não vi em que momento eu as expeli. Não vi nenhuma pedra na minha urina, mesmo vigiando muito. Mas aquele resultado me deixou muito aliviada.

Um médico me disse que os casos de cálculo renal aumentam muito no verão, especialmente em mulheres, que bebem menos água. No calor nós transpiramos mais, ou seja, boa parte da água do organismo se transforma em suor, reduzindo a quantidade de água que iria para os rins. Eles precisam de bastante água, senão produzem os cálculos.

Ah, quase ia me esquecendo. Depois deste episódio, BANI o consumo de refrigerante. Claro que há locais e situações que nem dá pra evitar, mas reduzi em mais de 90%. Já não bebia Coca Cola por questão de gosto mesmo, só tomava guaraná, mas tomava muitas vezes na semana. Aprendi a gostar mais de sucos naturais, e, mais importante do que isso, aprendi a dizer NÃO.

É uma tentação, porque as bebidas açucaradas viram um vício, mas são altamente nocivas para a nossa saúde. É muito mais importante nos atentarmos para a nossa saúde, sendo rígidos e dizendo "não" quando a vontade aperta, mas é uma atitude sábia e de demonstração de controle e amor próprio.

Fique atento, não espere acontecer com você para mudar os hábitos.





quarta-feira, 29 de março de 2017

A Bela e a Fera

Vamos falar um pouco sobre a A Bela e a Fera?
Para começar, vamos às origens.

Como diz a música da Disney, A Bela e a Fera é realmente um "Tale as old as time" (um conto tão antigo quanto o tempo), podemos dizer. 
Foi escrito na França, no século XVIII por Grabrielle-Suzanne Barbot de Gallon de Villeneuve (Mademoiselle de Villeneuve), e seu título original é La Belle et la Bête. 
Podemos nos perguntar se Mademoiselle de Villeneuve realmente concebeu toda a ideia de La Belle et la Bête, ou se foi a responsável por trazer o conto falado para a forma escrita, já que muitas histórias eram contadas há muitos e muitos anos e só foram registradas em livros entre os séculos XVI e XVIII. 

A história original, no entanto, é bastante diferente daquela contada pela Disney, em sua animação datada de 1991 - e que arrebatou os corações milhares de crianças mundo afora.
Na versão original, é contada a história de um mercador muito rico que tinha 12 filhos (6 homens e 6 mulheres), mas que inesperadamente se viu na miséria, perdendo a luxuosa casa num incêndio e todos os seus barcos no mar. 
Após algum tempo morando num casebre muito simples no interior, ele recebeu a notícia de que um de seus barcos havia sido recuperado, e precisou ir à cidade para resolver esta situação. Todos os seus filhos pediram presentes caríssimos, menos Bella, a mais nova, que pediu apenas uma Rosa. 
Na volta para casa, o mercador se perdeu no caminho gelado, e, ao acaso, encontrou um castelo esplêndido, onde entrou e se abrigou do frio e saciou sua fome. Ao sair do castelo para retornar à estrada, retirou uma rosa do jardim e isso enfureceu a Fera. 
Mas, ao contrário do que conta a versão da Disney, a fera deixou o mercador ir para casa com a condição de que uma de suas filhas fosse viver no castelo por livre e espontânea vontade - por amor ao pai - caso contrário, ele seria condenado a viver eternamente no castelo, como propriedade da Fera. 
Sem surpresas, sabemos que a única filha que aceitou a condição foi Bella, que, sentindo-se responsável por toda a situação por causa da rosa, passou a viver com a Fera para livrar seu pai da punição. 
Durante o tempo que ficou no castelo, Bella frequentemente tinha sonhos com um belo príncipe, por quem se apaixonou. A Fera constantemente pedia sua mão em casamento, ao que sempre respondia "não". 
Em certa ocasião, Bella pediu permissão para visitar sua família, pois sentia muita saudade. A Fera, que a amava muito, consentiu, contanto que ela prometesse voltar em breve, pois sem ela, certamente morreria de tristeza. 
Enquanto Bella visitava sua família, sentiu muita saudade do castelo, da Fera - que era tão bondosa com ela - e do príncipe que só podia ver em sonhos quando estava no castelo. Chegou à conclusão de que a Fera era digna de receber todo o seu amor e gratidão, e que o príncipe de seus sonhos apenas a alertava quanto ao verdadeiro valor da criatura. Retornou ao castelo, e, a Fera estava quase morrendo de tanta tristeza e saudade, foi então que Bella notou que realmente o amava. A Fera ficou muito feliz, e como de costume, perguntou novamente à Bella se ela aceitaria ser sua esposa, e, desta vez, ela aceitou, quebrando assim o feitiço que prendia o príncipe naquele corpo. 



O remake em live-action é estrelado por Emma Watson e Dan Stevens. Tem bastante músicas (aquelas mesmo, da animação que a gente ama) e também algumas diferenças de enredo.
Bella, é retratada neste filme não só como a filha de um inventor (aliás, sabemos que no original o pai dela era um mercador, não um inventor), mas também como uma inventora, mas muito mal vista pelas pessoas de sua aldeia, por estar "muito à frente de seu tempo", para uma mulher.

Cá entre nós, é fácil perceber que a trama tenta puxar a atenção para o lado "machista" da sociedade, ao passo que Gaston (Luke Evans) ameaça Bella ao mostrar-lhe o que acontece com mulheres solteironas, e em como os aldeões criticam sua postura ao utilizar uma espécie de máquina de lavar e ensinar uma menina a ler.
Também é adicionada à trama a breve história da mãe de Bella, o que não vimos nem na animação, nem no conto original. 
Aliás, toda esta parte em que Gaston e os aldeões partem para destruir a Fera e seu castelo não passa de uma invenção da Disney, afinal, é uma animação apenas baseada no conto. 
Em termos de fidelidade ao conto de Mademoiselle Villeneuve, o filme A Bela e Fera de 2014, estrelado por Léa Seydoux e Vincent Cassel ganha de dez a zero.

Mas parece que o que mais interessa, na verdade, é a memória afetiva criada nas crianças de 1991, que hoje, adultas, estão se emocionando ao assistir a esta superprodução.


O que você achou do filme? Me conta!





A verdade dói, mas é o remédio que você precisa.

Tenho notado, infelizmente, uma tremenda mudança ao meu redor. É uma mudança de comportamento com relação ao que eu vivi na minha fase de crescimento. Certo é que eu não tenho muita experiência de vida, no entanto, lembro bem quando um professor me disse - quando eu tinha lá meus 14 anos de idade - que uma pessoa sábia não precisa viver tudo na pele, pois aprende pelo exemplo.
Mal sabia eu que para entender o significado dessa frase eu deveria ser muito mais madura do que de fato era naquela época.
Nunca aceitando conselhos diversos do meu modo de pensar, reagindo mal a críticas, subestimando os outros - era assim que eu vivia.
E eis que a vida foi me ensinando à sua maneira - nada carinhosa - e eu desci do meu pedestal. Mas custou muito para isso acontecer e eu entender a importância da humildade.
Creio que o que aconteceu comigo há 10 anos atrás tem a mesma essência do que acontece hoje, porém, atualmente essa força está tomando proporções imensas.
Estou falando da incapacidade de olhar para si mesmo como um ser humano suscetível de erros, como um ser humano em evolução, e que PRECISA aprender mais, pensar mais, e muitas vezes MUDAR seus conceitos.
A negação da verdade de que:
1) somos humanos, logo, imperfeitos
2) não podemos ter tudo que queremos
3) não sabemos de tudo (e então, sim, VOCÊ PODE ESTAR ERRADO)
4) nem tudo que vem de nós é necessariamente bom
5) o mundo não gira ao nosso redor
.. Traz consequências péssimas.
É normal passar por uma fase dessas, afinal, faz parte da construção da identidade do indivíduo. Tal como na infância aprendemos a andar em meio a muitas quedas, em certa fase da vida vamos aprender a pensar, criticar e a nos autoavaliar.
O problema, penso eu, está na teimosia que se formou nessa geração, que basicamente se nega a ouvir a verdade e a ver que precisa mudar. O resultado disto é a grande quantidade de adultos extremamente imaturos. Uma verdadeira postergação da maturidade.
A incapacidade de lidar com problemas e aceitar críticas, faz com que estes jovens adultos busquem constantes fugas, e isso pode se converter em vícios, obsessões, criação de um mundo fantasioso.
Fruto de uma criação mimada - e aqui podemos listar muitas causas, por exemplo, o sentimento de "culpa" que os pais tem em relação aos filhos por trabalharem demais ou por viverem separados, não podendo dar a eles toda a sua atenção e dedicação presencial, e que faz com eles "compensem" essa ausência jamais negando um pedido ou então evitando entrar em assuntos trabalhosos que seriam desagradáveis...
Há mil razões.
Soma-se a isto, uma rede de
apoio a este tipo de comportamento. Digo, virou uma questão cultural. Não importa se estamos falando de um adolescente de 15 anos que não sabe nada sobre a vida. As decisões que ele tomar, por mais estapafúrdias que sejam, não serão motivo para admoestá-lo, pois isso seria "cortar suas asas", "moldá-lo conforme o padrão", "colocá-lo numa caixa".
Certamente o assunto é muito mais complexo. Mas há casos extremos que se originam na falta de limites e humildade.
A verdade se tornou maldade, pois machuca sentimentos.
De fato, ninguém gosta de olhar para si mesmo e ver uma grande falha. Mas trilhar um caminho diferente deste é basicamente viver numa ilusão, querendo ganhar da verdade na base do grito e do choro - como um bebê que ainda não entende que sim é sim e não é não.
A verdade dói, mas é o remédio que você precisa.







Imagem:
https://mulher.terra.com.br/comportamento/usando-fraldas-e-mamadeiras-jovem-de-21-anos-se-veste-como-bebe,6f2be4310d6d4ab6416447f7b0bfa2dbvy7bdob6.html




segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Contos de Fadas - O Fabuloso Livro Azul


Há algum tempo, em meados de 2013 - portanto, às vésperas da minha formatura - me deparei com a necessidade de pensar em um tema para a minha Monografia. 
Essa época foi muito turbulenta. Estava no fim da faculdade e sem muita perspectiva. Alguns assuntos alheios à ciência do Direito me chamavam muito mais atenção.
Há tempos eu me pegava pensando na sociedade e na família, nas estruturas, no papel de cada indivíduo na formação de uma pessoa. 
Passei a entender que o papel de uma mãe e de um pai é muito maior do que alimentar a criança e entregar para uma escola tomar conta.

Foi pensando nisso que comecei a entender que pais não deveriam delegar o dever da educação a estranhos, não em sua totalidade, não em alguns aspectos da educação como se dissessem: "Tome, eduque-o, isso aí é com você".
Atualmente as pessoas procuram praticidade, o ritmo de vida está acelerado demais para se reservar tempo e dedicação exclusivos para um assunto que pode ser resolvido com uma matrícula numa boa escola e a presença rápida na reunião de pais uma vez ou outra por ano

Além disso, há uma forte tendência do ser humano em escolher o caminho mais fácil. Toda tarefa que exige mais trabalho, mais atenção, mais sacrifício é terceirizada, delegada para alguém que se diz competente para exercê-la.
Mas temo que as consequências disso sejam terríveis.


"Educação" é um termo muito amplo, vejamos: 
  1. Ação ou efeito de educar, de aperfeiçoar as capacidades intelectuais e morais de alguém: educação formal; educação infantil.
  2. Processo em que uma habilidade se desenvolve através de seu exercício contínuo: educação musical.
  3. Capacitação e/ou formação das novas gerações de acordo com os ideais culturais de cada povo.
  4. Didática; reunião dos métodos e teorias através das quais algo é ensinado ou aprendido; relacionado com pedagogia: teoria da educação.
  5. Civilidade; conhecimento e prática dos hábitos sociais; boas maneiras.
  6. Delicadeza; expressão de gentileza, sutileza.
  7. Cortesia; amabilidade e polidez na maneira com que se trata alguém.
  8. Prática de ensinar, adestrando animais domésticos para as atividades que por eles devem ser praticadas.
  9. Educação Física. Formação de hábitos e comportamentos que incentivem o desenvolvimento corporal e mental, através de exercícios sistemáticos, jogos ou esportes.
(https://www.dicio.com.br/educacao/)

Por isso, considerando-a como fenômeno de alta complexidade na estruturação tanto da personalidade, da sensibilidade artística, desenvolvimento de talentos, no refinamento dos modos de tratar o próximo e de ver o mundo de um indivíduo, não é sequer razoável pensar que é dever apenas da escola cuidar da educação de alguém.

Existe a escolarização e existe a educação moral, isto é, aquela que estabelece juízo de valor, o que é certo e errado, noções de honestidade, integridade, etc. 
Este segundo tipo de educação é perpetuado pela cultura familiar, são aquelas influências que se têm no seio da família e que se diferenciam em cada núcleo. É indelegável e insubstituível.

Na escola pode haver orientações, mas não se compara ao que se aprende em casa, desde o berço. 
Até porque, como saber que tipo de valores tem os professores nas escolas? 
Você confia cegamente nas virtudes dos professores a ponto de entregar a eles a importantíssima missão de lapidar um ser em processo de desenvolvimento intelectual e moral?
A minha resposta para essas perguntas sempre foi NÃO.

Por essa razão - voltando à introdução - escolhi escrever uma monografia sobre Homeschooling (Educação Domiciliar), com uma crítica ferrenha ao entendimento de que tal prática se caracterize como "Abandono intelectual" pelo ordenamento jurídico brasileiro.
Esta foi uma semente plantada ao fim do meu curso que me transformou como pessoa, como mulher, como futura mãe.

No decorrer das minhas pesquisas sobre o Homeschooling passei a acreditar cada vez mais nos benefícios da educação em casa, desde tenra idade.

Lembrei-me da minha própria infância e da primeira das lições que meus pais e avós me deram, que mudou a minha vida para sempre: amar a leitura.

Minha mãe lia para mim e me dava muitos livros. Eu era apaixonada por eles, e ainda sou. Aprendi diversas lições importantíssimas. Contudo, muito além de gramática, coesão, interpretação e consequentemente maior facilidade na escrita, a leitura me deu muito mais: expandiu meus horizontes, ensinou-me as virtudes dos heróis, a maldade dos vilões, mostrou-me como o mundo pode ser cruel, e como o sofrimento e as dificuldades existem e devem ser superados para que se alcance a felicidade, que não vem de bandeja;  fez meu coração se encher de alegria, tristeza, angústia, gratidão - injetou em mim os sentimentos mais variados, inclusive frustração.

Quando olho as seções infantis das livrarias fico triste. Raramente encontro algo que considere bom. Na maioria das vezes penso que estão idiotizando nossas crianças com histórias insossas, que lhes priva da chance de entenderem a frustração, por exemplo. Acho que não preciso me aprofundar nisto: na próxima vez que tiver a chance de entrar numa livraria, dê uma olhada. 

Recentemente encontrei uma editora que está começando a lançar livros com contos de fadas das mais variadas partes do mundo, em suas versões originais para crianças. Este é o primeiro livro da coleção dos Fabulosos Livros Coloridos: O Fabuloso Livro Azul.

Comecei a ler este livro maravilhoso - Fabuloso, mesmo - e foi um choque até mesmo para mim. Percebi que eu estava altamente infectada com o mal do século: a negação do mundo real.

É preciso ensinar às crianças sobre quase tudo, inclusive sobre as partes feias do ser humano. É preciso ensiná-las que se frustrar é parte essencial da experiência humana. Que a felicidade exige a superação de obstáculos presentes inclusive dentro de nós mesmos, e que não é algo inerente à vida.

Num mundo em que não se pode mais dizer não, em que não se aceita que as adversidades e que o sofrimento fazem parte da vida, tudo se quer, mas nada se sacrifica, o resultado só pode ser desastroso.

Sem o mundo cor-de-rosa insosso em que estão inserindo nossas crianças, o Fabuloso Livro Azul traz os contos de fadas da forma como eles foram criados (pelo menos o mais próximo possível disso), já que a sua finalidade era, é, e sempre será, a de passar lições morais, valores, virtudes e ensinamentos para a vida.

Se maquiarmos demais os contos, alterando-os substancialmente, ferimos de morte a sua a finalidade. É como diluir remédio amargo em muita água com açúcar. Perdemos também a intensidade das histórias, e todo o leque de sentimentos que seriam inseridos na mente dos pequenos. 

Tudo isso é importante. Muito importante.

Então, decidi procurar por livros que sigam essas idéias. Sigo me recusando a deixar que me idiotizem mais do que já o fizeram, muito menos deixarei que façam isso aos filhos que ainda nem tenho.

Sim, ler o Fabuloso Livro Azul me fez acordar para uma realidade assustadora: eu me deixei ser infectada pela falácia do mundo cor-de-rosa. Mas nunca é tarde para acordar.

Caso tenha se interessado, deixo aqui o link para você conhecer este projeto da Editora Concreta: http://livrariaconcreta.com.br/loja/homebooks/o-fabuloso-livro-azul/

Em breve será lançado o Fabuloso Livro Vermelho, para a nossa alegria (haha!).


Na imagem: a belíssima ilustração de "A Bela e a Fera".



terça-feira, 27 de setembro de 2016

O tempo é implacável. Voltei.

Há 4 anos escrevi uma postagem sobre uma cirurgia de Amigdalectomia. Até hoje recebo notificações no meu email sobre novos comentários.
Não fazia ideia de que um simples relato da minha experiência de pós-operatório alcançaria tanta gente (tá, nem é taanta gente, mas pra mim que não sou famosa nem nada, é).
Fato é que há muito tempo não escrevo no blog, e em quase todas as vezes que escrevi, precisava me desculpar dizendo que fazia muito tempo que não escrevia.... É, eu sou bem assim.
Enfim, sobre o post de Amigdalectomia... Hoje recebi alguns emails de novos comentários, como de costume, e resolvi olhar quando tinha sido a última vez que escrevi, e do que se tratava.
Escrevi sobre minha formatura. Escrevi que o Direito não foi a escolha da minha vida. Escrevi que ia procurar me conhecer melhor, e escolher uma profissão diferente.
Vamos lá. Tem coisas que só o tempo nos ensina, pequeno gafanhoto. Sempre me gabei de ser uma iiiixpertinha e sempre quis me meter a ensinar coisas sobre a vida para as pessoas (como se da vida eu soubesse bulhufas..). Não sei se isso era bom ou ruim. Toda moeda tem 2 lados, não é? Aprendi que por muitas vezes eu fui prepotente e arrogante. E a vida logo se prontificou a me colocar no eixo. Humildade se aprende na marra se não se aprendeu em casa. A vida não ensina com carinho. E se você decide não aprender nada sobre humildade grandes são as chances de você ser um babaca, com todo o respeito..
E cá estou, novamente, querendo te ensinar, caro leitor, alguma coisa sobre a vida, como se da vida eu soubesse bulhufas...
Alguns anos se passaram desde que iniciei a minha aventura por aqui, neste blog. Ah, e como esses anos mudam a gente.
Hoje não tenho a pretensão de dizer que sei mais sobre a vida. Hoje só quero escrever o que aprendo. O que vivo aprendendo.
Mas voltando ao questionamento central. Eu disse que queria me conhecer melhor. Mas sabe de uma coisa? Quando é que você pode bater no peito e dizer "EU ME CONHEÇO COMPLETAMENTE!"? Claro que existem características básicas facilmente identificáveis. Mas falo de algo relacionado a interesses que te movem, coisas que fazem seus olhos brilharem. Não sei se o normal é ser uma pessoa estática. "Sou assim, e ponto final". Mas em mim é um pouco complicado. Sou uma pessoa que muda,,. muda... muda. A cada novo interesse, a cada novo estudo, a cada aprendizagem a minha visão sobre a vida e as coisas se transforma. É difícil ser assim, sabe? Passo meses mergulhando fundo em algum assunto, depois acho outra coisa mais interessante, deixo o primeiro assunto para trás e me jogo de cabeça num mundo completamente desconhecido... Mudando meus sentidos o tempo inteiro. É difícil, sério. Tudo ao redor fica afetado, a visão sobre tudo. Mas confesso que ao mesmo tempo é apaixonante. Sinto que uma vida é pouquíssimo tempo para aprender tudo que quero.
Por vezes me pego pensando: "E se eu tivesse nascido em outro lugar? Outra época? Se falasse outra língua? Quem eu teria conhecido? Por onde teria andado? O que teria feito? E se? E se?"
Como se quisesse experimentar mil vidas só para ver como é.
Coisa de gente louca, talvez.
Mas houve um momento em que percebi que andar para cima e para baixo querendo aprender 1% de cada coisa não me faz saber muito, me faz ser ignorante de tudo. E que apesar de ter uma curiosidade absurda, minha vida continua sendo uma.
E o tempo não pára pra você se situar na Terra.
Prestei o Exame de Ordem e fui aprovada. Foi uma experiência e TANTO. Precisei passar por ela, porque tinha muito medo, coisa emocional. Mas passei.
Algo que tenho aprendido - mas que já deveria estar careca de saber - é que se vive um dia de cada vez. Parece que a ansiedade não me deixa internalizar isso de modo algum.
Mas algum dia, lá na frente, quando eu voltar pra ver esse blog, quero encontrar em letras maiúsculas isto aqui:

UM     DIA    DE    CADA    VEZ

UM     DIA    DE    CADA    VEZ

UM     DIA    DE    CADA    VEZ

UM     DIA    DE    CADA    VEZ

UM     DIA    DE    CADA    VEZ

UM     DIA    DE    CADA    VEZ

Aprenda, mulher!
Você não tem noção do poder que o tempo tem. Da oportunidade que ele te dá a cada dia de se superar e de te fazer melhor a cada tentativa. É incrível.
Talvez foi isso que aconteceu entre o Direito e eu. Mutável do jeito que sou, perdi o interesse rápido. Mas e se volta? E se o encarar com outros olhos? Não vou pedir o divórcio. Vou viver um dia de cada vez.
É, foi o que decidi.





sábado, 12 de julho de 2014

O tempo é implacável. Me formei.



Lembro-me que comecei este blog assim que iniciei o curso de Direito. Há 5 anos e meio, aproximadamente. Se você quiser, pode olhar as minhas primeiras postagens. Vou dizer que estava no primeiro ou segundo período da faculdade, falando sobre escolhas incertas, sobre não saber se o curso era o que eu queria mesmo..
Há 5 anos e meio eu comecei a caminhar nessa estrada para obter o meu ensino superior completo, rs. Foi uma época de intensos aprendizados, não só nas matérias técnicas, as disciplinas do direito, mas como pessoa, como gente, como menina que dá um passo após outro em direção à maturidade. Eu tinha apenas 17 anos quando comecei, concluí aos 22.
Nesses 5 anos de estrada, eu ri, chorei, entrei em desespero, me entorpeci de alívio quando via o sucesso. Precisei passar por duas cirurgias, pensei que fosse desistir, pensei que fosse reprovar por causa das cirurgias. Perdi o ânimo. Mas dia após dia, as dificuldades foram superadas.
A minha primeira dúvida ao ingressar na faculdade nunca foi sanada. Tive 5 anos para responder a mim mesma se era isso que eu queria, se seria esse o meu ofício do coração e da alma, se era essa a profissão pela qual me apaixonaria.
O fato é que em dezembro/2013 e janeiro/2014 foram as festividades da minha formatura. Já faz 6 meses que colei grau, que fiz meu TCC, que defendi a minha monografia perante a banca e que fui aprovada. Faz 6 meses que cheguei no final de uma estrada que eu pensava não acabar nunca...
Como eu cresci.
Meu Deus.
Precisei passar por milhares de situações que só Deus sabe, para conseguir responder à minha dúvida original: É isso mesmo que eu quero pra minha vida?
Hoje, com o meu diploma na mão, rs, respondo: Não. Não sei se era isso mesmo.

MAS, COMO ASSIM??? :O

É...
Procurei, durante todo o curso, encontrar aquele momento em que as disciplinas deixariam de ser meras matérias pelas quais eu devia passar, para ser 'uau, eu adoro isso aqui!'. E isso nunca aconteceu. Nunca me brilharam os olhos. Talvez eu fosse imatura demais. Talvez não estivesse levando a sério. Não sei.
No início da faculdade eu tinha esperança de que, ao passar pelas matérias mais gerais e introdutórias (Sociologia, Filosofia, Introdução ao Estudo do Direito, etc..), das quais eu gostava, mas não amava, e chegando nas matérias ESPECÍFICAS, processuais, práticas, aí sim eu iria adorar o que estava estudando. BOM, acontece que eu me enganei... Não me apaixonei por nenhuma matéria. Pasmem. Nenhuma. Fui bem em todas. Fui elogiada, tirei boas notas, ótimo rendimento. Mas não me apaixonei, não me identifiquei, não aconteceu aquela química entre o Direito e eu. Como disse, pode ter sido eu, o meu momento, minha imaturidade.
É um curso que, se levado com paixão, uau... arrebata qualquer alma. É linda a sede de justiça! Posso discutir, debater durante horas acerca de vários assuntos relacionados ao direito. Mas quando se pensa na realidade... será que é bem assim?
Mas foram 5 anos perdidos?
Muitos diriam que sim. Hoje, eu digo que não Claro que não! Não foram 5 anos perdidos. Penso que nada faz com que alguém "perca" tempo. Aprendi MUITO, cresci MUITO, conheci pessoas maravilhosas, conheci pessoas ruins. O que tive de experiencias neste curso, só este curso poderia ter dado. Um caminho foi aberto para quando eu estiver pronta.

Aqui, deixo a resposta à Jéssica de 2009, tão indecisa e insegura: Não rolou aquele tchan, sinto muito. Será que existe esse "tchan" afinal? Ou era coisa da minha cabecinha sonhadora? Anyway...
Me formei com toda a pompa. Quis assim, porque não sei o que o futuro me aguarda! Quis participar de tudo: aula da saudade, culto ecumênico, baile...
Terei belas recordações, das quais me lembrarei com tanto carinho..

Hoje, recomeço o meu caminho, desta vez não em busca de um diploma, mas em busca de um conhecimento diferente. Estou em busca de mim mesma. Quero saber quem eu sou para então saber o que eu sou capaz de fazer, o que eu gosto de fazer. Essa é - acredito - a mais importante estrada, das diversas estradas que a vida tem, que todo mundo devia percorrer, mas a maioria não percorre.
Não consigo viver em mim sem me conhecer.

Quem sabe nestes caminhos, eu pegue um retorno..

Esses meses tem sido REPLETOS de descobertas fantásticas, sou tão grata a Deus por tudo!!!

Nada está perdido. O conhecimento não se perde, não é tempo desperdiçado.
Sigo adiante, na esperança de achar aquilo que vai fazer palpitar meu coração. O trabalho é uma coisa muito séria. Será uma prática pela vida toda, por isso precisa ser bom para quem o pratica... Tanta gente fica doente por trabalhar extremamente estressados (porque erraram na hora de escolher a profissão) e passam a vida reclamando, amargas..

Não quero isso! Nessa vida eu quero é ser feliz, fazendo algo que goste. Quero ao menos esse tempo para pensar.

Podem me julgar.

Grande beijo!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A doce criatura

A doce criatura no vestido azul
Leve, doce, etérea
Inalcançável para qualquer um
Nascida para a perfeição
A amável criatura flutuava pela vida
Seu vestido azul esvoaçante
Dançava naquele corpo que não tocava o chão
Certo dia, porém
Caiu a criatura
Sua doçura e candura angelicais
Tiveram o mesmo destino voraz
Não só de azul e branco ela vivia agora
Conheceu o carmesim, se desvencilhou da paz
A doce criatura no vestido azul
Leve, doce, etérea
Experimentou a dor e a
Sangria desatada.
Sua adorada vida de nuvem
D'um dia pro outro virou tempestade
Não mais leve, doce, etérea
A (não tão doce) criatura no vestido azul
Viu que era carne, tateou a realidade
Viu que a perfeição não existe no chão
E que a imperfeição, esta sim, fazia-lhe gente.
Não mais quis ser 
Leve, doce, etérea,
Mas densa, agridoce e terrena.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Pensar no futuro

Pensar no futuro, quem nunca?
É muito importante.. Afinal, um dia você precisa fazer alguma coisa, se sustentar e tudo mais. Um dia a gente vira adulto e a mordomia acaba, rs.
Cada um faz o que pode... Uns com muito planejamento e disciplina. Outros como Zeca Pagodinho disse na canção "deixa a vida me levar, vida leva eu"! Rsrsrs
Para os mais ansiosos, ansiosíssimos como eu, nem sempre pensar no futuro é tão bom assim.
Claaaaaaaaaro que deve se pensar, lógico... Mas, sem sofrer antecipadamente e vivendo um dia de cada vez, dentro das possibilidades.
Gente, ser extremamente ansioso só gera desgaste emocional e decepção.
Faça seu planejamento... viva um dia por vez.. mas não se perca em devaneios de como será a sua vida daqui 5 ou 10 anos... sério, furada!
Furada porque a maioria das pessoas muito ansiosas não são muito positivas, e acabam imaginando coisas ruins! Pior, não só imaginando coisas ruins, como sofrendo por elas! Trazem uma dor que nem existe, que possivelmente nem existirá, para o presente. E isso FERRA com o emocional da pessoa.
Se eu pudesse dar um conselho... seria esse.. Viver um dia de cada vez.

Se as flores e folhas soubessem o que o outono lhes traria, não embelezariam nossos dias com suas cores e formas, pois, ao vislumbrar a seca da estação, perderiam o brilho, se sentindo desde já inúteis, quando na verdade, não o são.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

5 anos

Lembro que há 5 anos eu entrei pra faculdade de Direito. Lembro que escrevi um post sobre as minhas dúvidas e a minha dificuldade em acompanhar o ritmo da universidade.
Era tudo tão novo, tão diferente, tudo tinha aquele ar de "meu Deus, estou me tornando adulta".
Eu era uma adolescente de 17 anos começando a pensar numa profissão. Hoje, aos 22, faltam poucos dias para minha formatura, e, olhando para trás, vi essa menininha ingênua, aspirando a vida tal qual uma esponja, e morro de inveja, rsrsrs.
Acho que a maioria de nós tem vontade de ser para sempre jovem. Eu queria sim, retornar aos meus 17 anos e de lá não sair jamais! 
Mas o envelhecimento amadurecimento é um fato inevitável, irremediável, e sim, necessário. Hoje eu sei que aos 17 anos eu não estava me tornando adulta coisíssima nenhuma!! Hoje sim, que preciso pensar no que vou fazer pelo resto da minha vida (sem prazo de 5 anos), é que posso dizer que a vida adulta bate à porta e se eu não abrir, ela invade! Hoje sim... Hoje sim não há para onde correr, rsrsrs... 
Foram tantas ideias, tantas risadas, tantas histórias, tantos medos, tantas provas, tantos micos, tantos "ai meu Deus eu não sei nada!", tanta reflexão, tantos erros, acertos... Tanta vida!
Uma fase que se vai, e outra que se inicia... E agora começo a me identificar com aquela menina de 17 anos no seu medo de viver o próximo capítulo, onde tudo exala novidade... 
É.. isso assusta. 
Vida... o que guarda pra mim?

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Ballet adulto

 Aos 22 anos de idade, entrei pra aula de ballet clássico.
Parece impossível, ballet é pra quem começa criança, aos 3... 4 anos de idade. Né?
Bom, tem vários aspectos que nos levam a pensar assim, a flexibilidade, o desenvolvimento da musculatura corretamente, a força, a precisão adquiridas desde a infância por exercícios repetitivos e até exaustivos, que levam à perfeição.
É claro que aos 22 anos meu corpo não é flexível, não é forte o suficiente, tem seus defeitos, suas limitações. Mas, não dá pra dizer que é impossível fazer ballet clássico.
Quantas mulheres já sonharam em dançar ballet quando eram apenas crianças, mas não puderam frequentar aulas, por qualquer motivo...
Foi o meu caso.
Aos 8 anos fiz algum tempo de ballet. Só que a escola era muito longe, o horário era muito ruim... Bom, não deu pra continuar..
Mas era o meu sonho de criança.
Até que descobri que eu precisava deixar a minha criança viver o que precisava ser vivido e não foi.
Decidi retornar. Na primeira oportunidade que apareceu, alguém que desse aula de ballet clássico adulto, fui lá e me matriculei.
Faz pouco tempo, 1 mês apenas.
Mas é uma terapia incrível. Uma atividade física maravilhosa. E melhor do que ser uma atividade física completa, que tonifica, fortalece, dá equilíbrio e proporciona uma vida mais saudável, para mim, o ballet é a realização de um sonho.
Algo que cura a alma.
Me entristeço quando penso que durante os anos que passei sem fazer ballet, eu poderia tê-lo feito, e hoje seria uma bailarina e tanto.. rs
Mas o que me resta é o dia de amanhã, e eu estou muito feliz de poder realizar o meu sonho. O sonho da Jéssica lá de 1999... Até antes..
Claro que não é ballet profissional, não tem aquela rigidez toda.. (ainda bem, rs) mas ainda assim, eu sinto uma alegria imensa toda vez que vou à aula. Desde o momento de vestir a meia-calça, o collant e fazer o coque, até o último segundo de aula.
Essa foi a melhor decisão que eu poderia ter feito por mim, pra mim.. a minha pequena Jéssica agradece, e dá piruetas de felicidade.. rs